segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

16. Does anybody know what we are living for?

Embriaguem-se

É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.
Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.
E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso".
Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.

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Enivrez vous

Il faut être toujours ivre. Tout est là : c'est l'unique question. Pour ne pas sentir l'horrible fardeau du Temps qui brise vos épaules et vous penche vers la terre,il faut vous enivrer sans trêve.
Mais de quoi? De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise, Mais enivrez-vous.
Et si quelquefois, sur les marches d'un palais, sur l'herbe verte d'un fossé , dans la solitude morne de votre chambre, vous vous réveillez, l'ivresse déjà diminuée ou disparue, demandez au vent, à la vague, à l'étoile, à l'oiseau, à l'horloge, à tout ce qui fuit, à tout ce qui gémit, à tout ce qui roule, à tout ce qui chante, à tout ce qui parle, demandez quelle heure il est; et le vent, la vague, l'étoile, l'oiseau, l'horloge, vous répondront : "Il est l'heure de s'enivrer! Pour n'être pas les esclaves martyrisés du Temps, enivrez-vous; Enivrez-vous sans cesse !"
De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise.

Charles Baudelaire

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

15. How can it be, Mr. Rice? How can you know such things?

Votos de paz não me significam muita coisa.
Tranquilidade não é um ideal e calmaria não é uma vantagem por si só.

Concordâncias e congruências não me alimentam. Quando sinceras, não incomodam... podem aproximar, claro que podem. É que nada pode ser só concordância. Nada pode ser só claro e puro e simples e confortável e só isso. Falta a beleza que só existe na complexidade, nos defeitos, nos desacordos e arranhões, nos impactos de todo conhecer.
As pessoas deviam estar mais dispostas a agir de forma genuína, simples ou não. Você podia estar mais disposto a decidir, a concordar, a discordar, a perceber, a tomar o controle. A tomar tudo que você puder. Mais inclinado a fazer (de mim) o que você quiser. Só porque você quer.
Fantástica é a capacidade de mudar disposições e transformar situações... de prov... ah.
O problema aqui é que eu... reajo. Ou nada.
A tragédia aqui é a minha falta de vontade, latente.
O que parece é que...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

14.

Hoje eu vi fumantes do lado de fora de uma porta de hospital, mas tava ouvindo outra música.
Hoje eu acho que, pela primeira vez na vida, eu senti raiva por raiva. Sem fingir -muito bem- que ela não existe, como eu costumo fazer muito naturalmente.
Raiva de todos os lugares pelos quais eu passei andando sem rumo. Dos rostos que eu não queria estar vendo.
Mas foi rápido.
Aí ficou uma saudade imensa, daquelas que só eu sei sentir, saudade de doer na carne, que absurdo. Eu sou toda saudade, às vezes.
Tantas coisas que eu não posso valorar... porque eu não sei me conseguir as condições pra vivê-las.
Quanto mais eu sei, quanto mais eu quero, quanto mais eu queimo por tudo que eu não posso, mais eu me vejo estática.
Eu não sei me deixar ser quem eu sou.
Quanto mais eu bebo, quanto mais eu fumo, quanto mais eu rio e me divirto infinitamente por uma noite, pior é a vingança do dia seguinte. Às vezes. Não importa.
Eu não sei.
Eu sei que deixei de ser criança aos 5. Que gosto de homens de camisa vermeha. Que um maço de cigarros custa 3 reais. Que eu gosto de não me importar com as opiniões dos outros e que tá quase saindo do forno uma quiche fantástica.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

13.

Eu tô morrendo de sentir sua falta.
Em todo lugar.
O tempo todo.
Luv ya, hunny bunny.

12.

Eu nunca pensei que o jogo pudesse virar assim, que pretensiosa.
E mesmo assim, interessada e um tanto vulnerável, eu não confio em mim. Nem um pouco.
Mas nisso, talvez.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

11.

I don't really know what's going on with me.

I'm pushing myself too hard, that's the big fat truth.

This trying to get lost to get found by myself seems to be on its way killing me sometimes... sometimes...

It's no use, is it?

But, damn , I've got to make it.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

10.

diz (00:51):
Nossa. Não me imaginava nesse lugar.
Nunca.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

9. A-HA-SA, Damien.

Cheers, darlin'
You gave me three cigarettes to smoke my tears away

And I lied, I should have kissed you

Cheers, darlin'

I should have kissed you when we were alone

What am I darlin'?
A whisper in your ear?
A piece of your cake?
What am I, darlin?
The boy you can fear?
Or your biggest mistake?

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

8. Olet yrittänyt kääntää että otsikko?

Eu tô cansada.
Perdoa-me, Rilke, eu não sei mais ser a sozinha que você acha que eu devia. Que eu gostava muito de ser. E ainda assim, eu não quero uma companhia. Nem um milhão delas.
Eu só não quero, e quero muito, eu não sei nada.
Me abraça, caubói. Você sabe dizer, calar, intoxicar e acalmar, muito na medida. Irritada e querendo te deixar, eu volto. Porque é você o malandro e eu sou a mulher.
Perdoa-me, Rilke, mas não sei acompanhar minha solidão. Eu sou, só, barulhenta demais. Ou calada demais. Acho que só... mais que péssima demais.
Preciso de uma nova cicatriz ou um teletransporte.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

sábado, 25 de outubro de 2008

6.

E tem ele, nesse caos birrento, nessa explosão egocêntrica, é tragédia e danação, é fogo, é meu pedacinho de Rimbaud. Só leão, meu deus.
E tem ela, me fazendo companhia por dentro e no cair da noite. Ou num intervalo corrido em que eu não quero me despedir. Uma delícia de dependência completamente independente. Virou rotina e o sentido de rotina agora é outro.
E tem ela também, que não tá mais tanto assim comigo não, que é uma mulher fantástica. Que joga sério e brinca leve. E se cobra tanto e, dizem, parece esperar alguma coisa de você. Mas pra mim é leve, é lindo. Dá tanto, ajuda tanto. Gosta de verdade e essas coisas a gente nem precisa ficar dizendo. Simples: ela tá certa.
E tem tanto amor espalhado por aí. Tanto pedacinho inevitável da minha vida, tanto encontro, desencontro, ausência, reencontro. Tem aquele amadinho, que não se abre muito fácil não. Que tá sempre junto, sempre que pode. Que parece ter sempre uma preocupação e corre tanto, mas quando pára é de uma leveza que não existe. Apaixonante, apaixonante, é o que todo mundo diz. Ele é pra vida toda, é o que todo mundo quer.
E tem a interessantíssima, a engraçadíssima, a fofíssima, a meniníssima, a sensualíssima, o resolvidíssimo, o fofíssimo, o amabilíssimo, o figuríssimo. E tem mais de um em cada categoria e tem mais de categoria em cada um e não existe categoria que seja suficiente.

Oh, céus.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

5.

Eu sou muito caprichosa ou levemente obsessiva?
Você também acha que todas as minhas diversões são irônicas?
Nem todos os meus movimentos são friamente calculados. Calculados, eu admito.
Frio é o que você encontra se tentar mergulhar nos meus olhos.
E choque térmico assim não faz bem à saúde.

4.

All I wanted was some moloko plus drencrom. But that was a week ago. Today... I... don't know what I want. Again.
It's getting dark already. It will get sunny all too soon.
I'm Jack's wasted life, just because my body doesn't seem to take all this lovely fire and smoke and fever and lack of sleep and

domingo, 19 de outubro de 2008

3. Ah!

E agora, José? Tua Maria tá perdida que só ela.

Tá, perdida não. Esperando ansiosamente se perder. Se gastar, mesmo. Se queimar e ficar assim, em carne viva. Delícia.
Ou não.
Diabo de mulher que muda de vontade sem nem saber, sem nem sentir vontade. Fica mudando de vontade de sentir vontade de... vontade.


Ah.

sábado, 18 de outubro de 2008

2.

Às vezes numa noite fria e às vezes num dia bem quente... eu me lembro dela.
Da vontade que ela tinha de pertencer a mim, me transformar pra sempre. Da vontade que era minha de me entregar, fingir voar.
Eu conheço uma casa que tem uma janela. A janela é minha e, céus, eu ainda sou dela.
É a janela mais linda que eu já vi na minha vida. Se eu tivesse um coração, choraria só de ver.
E aí volta a vontade. De pertencer a ela e não mais e mais fundo e pra sempre e inteira, num suspiro. Num suspiro, nem minuto, minha doce morte pornográfica.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

1. O quadro

Uma penumbra quase breu. A última dança lenta de uma luz avermelhada, agonizante.
Silhuetas que se façam necessárias, bocas tingidas de vinho.
A fumaça e seus pontos de brasa.
Toda embriaguez de alma.
E a música, que completa a cena, nem existe mais.