segunda-feira, 13 de março de 2017

144.

Morno, morno.
Quente só se for de ira. Pra amizades, talvez. Interesses em comum com amigos, música, quente. Fora isso, se é que tem temperatura, é fria. Frio. Pior, morno.
Amor? Morno. Declarações nulas, espontaneidade morta no berço. Confunde empolgação com ansiedade, qualquer coisa que lhe soe não-morna é incômoda. Padrão.
Mas te chama de careta.
Um amor que não pulsa, não grita. Resmunga, remói e repensa, sempre.
Quando se der conta de que viver é o que salva a vida, é tarde. Pro amor, já é póstumo.
Eu que não sou morna, choro.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

143.

Prefiro crer que seja bondade do seu amor, e não displicência, me ensinar tanto sobre sua ausência, me acostumar com suas portas fechadas.
Se acostumar-se com distância não é o que deseja, se dos outros quer o alcance das palavras de compreensão e o toque, que ultrapasse a própria pele. Não é dever de um suprir a dois, ninguém deve se envergonhar de não querer tão pouco.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

142.

Reaprendendo o que fingi desaprender por me deixar aprisionar de mim mesma. Repaginando, revivendo e repintando todas as paredes, o teto e o espaço. De laranja. Laranja, lilás e verde. De amor.
Dançando no caos por ser também o caos, não por ser arremessada no vazio. Dançando na ordem também, dançando no fogo.
Compreendendo o que tinha na mente, mas não em mim. Sobre mim e sobre o que emana de mim. Aprendendo a receber. Por isso, sabendo estar inteira.
Jornadas assustadoras começam tão casuais, que nem dá pra estar alerta. Só assim, pra embarcar e aprender, a penas que não aceitaria se soubesse.
Aprendendo, reaprendendo e também desaprendendo, que viver parece ser todo processo por inteiro, do início ao fim e avesso-contrário. Sem pé nem cabeça. De corpo e alma.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

141.

Soube tudo o que não queria e vi mais do que gostaria, sempre.
Agora, quero mostrar. De volta. Das minhas costas, às suas custas, aquelas culpas.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

140.

Uma insatisfação vem cronicando, histórica, me ganhando no medo. Medo de estar errada, estar com mais vontade de cegueira do que fato. Não sei mais de análise, nem interpretar meus lampejos sãos.
Não me lembro do que tinha pra saber se o que me falta é porque me falta sempre ou é mesmo o que preciso.
Sempre em falta, mas... mesmo assim, mais que nunca.
Não me basta, não me esquenta, não me cobre. Deve ser por isso que quero sempre tão perto, porque perto já é só meio.
Admirando assim todas as coisas que você tem tanto, e ninguém mais, sempre concluo que preciso de mais, justamente do que não posso pedir, não devo querer, talvez não adiante, nem sei se piora, e se eu disser, mas deixa pra lá, é bem isso que eu faço: emaranho todas as pontas e nós, mais nós ainda e pronto, finjo que esqueço, não concluo. Eu não quero saber o que eu sei a respeito.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

139.


Da melancolia só me salva essa voracidade; de pista só te restam as unhas, crescentes, e a lua cheia.
É no despertar que eu vejo os dedos melados de sangue e a manhã púrpura. Já não me surpreendo no espelho, os olhos serão de rapina.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

138.

E, de repente, se juntam, sem aviso, todas as quimeras, com aviso. Os filhos que eu não terei, as perdas que se repetirão e as dores já anunciadas, menos místicas, que acabarão por conseguir me matar, anunciadas, anunciadas sempre, que eu não admito pra não fazer muito de mim mesma, pra não fazer de mim morte anunciada como os grandes videntes de seus próprios destinos e dessa desgraça toda.