quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

122.

Eu vim contar que não te quero mais e não só dizer o quanto eu estava esperando ansiosamente por isso.
Eu vim contar que agora posso conseguir te desmistificar e reduzir a pedacinhos mais ou menos cabíveis e coerentes. Quem sabe até pedacinhos ridículos? Pra finalmente conseguir lidar contigo da mesma forma simples e segura com que você lida com a confusão que eu sou.
Mas a gente se esbarra um dia desses, né?

terça-feira, 16 de novembro de 2010

121.

"Não importa que te avisem,
Não me importa que se goze,
Não importa que me caiba parte de seu desconforto.

Me importa que não me escute, que me obrigue e que me ame."

120.

"Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
(...)
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza."

Álvaro de Campos

sábado, 13 de novembro de 2010

119.

Fico confusa. Não sei se me deixa chateada que eu aproveite toda oportunidade pequena de te negar uma coisinha ou outra, não te deixar fazer do seu jeito. Talvez não devesse ficar chateada. Talvez eu devesse me colocar menos à sua disposição.
Foda é que, só de ir ao encontro das minhas vontades... eu acabo à sua disposição, o máximo possível.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

118.

Verdades construídas são verdades. Mentiras convincentes vão ganhando status de verdade. Verdades são largamente desacreditadas e crenças... são mais que verdades.
Eu tive vários sonhos essa noite, a noite toda. Fico pensando "será sugestão mental ou sua influência, de fato?", fico pensando um monte de coisas, muito lenta pra me mexer, muito calma pra querer parar de pensar. Up from my brain is where I bleed, mas, ei, when I find my peace of mind, any peace at all...
I'm gonna give you some of my good time.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

117.

"Pleasantly caving in
I come undone"

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

116.

E, se você quis mesmo saber, aqui eu até falo um pouco mais.
Tava até discutindo isso numa aula, como querer pode ser objetificar, mas é, necessariamente, objetivar, apenas. Pensando, depois, em como eu não costumo me importar com corriqueiras objetificações de mim - será porque eu me exagero enquanto sujeito?
Eu quero sempre pessoas e demais e pessoas, bastante, mas enquanto sujeito, sempre enquanto sujeito.
Não é incoerente, mas é difícil.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

115.

E, se bobear, uma hora ou outra eu preciso que me apertem. Gosto dos que têm naturalmente a disposição de abraçar e segurar firme.
Mas, sendo que uma coisa acaba por se colocar diametralmente oposta à outra, prefiro sexo. Não por não gostar de esperar, de me expor... porque eu não gosto que não se possa separar as coisas nem fazer com que tudo seja mais possível, cabível, plausível, mesmo que absurdo, mesmo ao mesmo tempo.
Redundante e exausta de dizer as mesmas coisas.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

114.

Quero caber nas coisas, aceitar que elas me ocupem e me deixar tomar pelo que, por natureza, toma. Algum seqüestro e um pouco de paz.
Quero sementes de romã.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

113.

"Não ajuda a viver, a liberdade."

domingo, 10 de outubro de 2010

112.

Fazer as coisas sempre igual e mudar de forma mesma, é quase meu lema.
João quis me comer e eu gostei. Quis me amar e eu me fiz repulsiva. Melodiosa e repulsiva.
José me quis comer e conhecer, eu quis demais. E quis me fazer com pressa e com gozo e com deboche e alguma música, quis ser como de costume e fui. Destrutiva, repulsiva, rouge e álcool.
Não sei de nomes que bastem pros homens comuns... desculpem, sim? Não sei de nomes comuns que bastem pras vontades comuns ou falsas, comuns e falsas que quiseram pra mim.
Disposta a aceitar qualquer proposta que seja inusitada o suficiente pra ser vulnerável e ingênua demais e mais que demais. Disposta a qualquer um, o primeiro que se faça vulnerável o suficiente pra ser só coragem e me ignorar por completo e me propor o que quiser. Eu aceito a venda que me quiserem botar por sobre os olhos. Aceito amor, mesmo que não consiga manter a promessa. Aceitaria, agora, quase até prometer promessa que não saberia cumprir.
Aceito amor, sexo, traição e dor. O amor é novidade.
Aceito leveza e liberdade, e de leveza... bem, de leveza eu não entendo.
Aceito colhões.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

111.

Das coisas que me passaram pela cabeça hoje:
Seus nãos por nãos e um silêncio desnecessário pra ser ímpar.
A vida vira uma novelinha adolescente com muita facilidade.
A gente ainda tá na sétima série.
Resignação não é liberdade, indecisão não é desinteresse, impasses não são a morte.
Dilemas morais não torturam se você é de ferro.
Não pode ser Don Juan quem não tem pau.
Eu detesto nãos por nãos. E o silêncio desnecessário de "eu sou ímpar".
Eu não acredito que vá viver uma grande história de amor, no rigor e encaixe forçado da definição. Nunca tinha me ocorrido que as pessoas pensem nisso.
Eu queria dormir por vários dias, me sentir leve por estar leve... me mexer sem café e poder arrumar alguém pra me tirar o útero.
Deve ser uma delícia "viver um grande amor".
Deve ser muito mais doloroso que delícia viver "um grande amor".
Dor na coluna, dornacolunadornacoluna.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

110.

Yo-ho yo-ho and a bottle of rum e que você continue me fazendo lembrar o que eu quero dizer e o que eu não quero, pra que eu fale mais sóbria e verdadeira, como eu costumava ser.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

109.

Eu conheço gente de açúcar, gente de musgo, gente de fogo, gente de mola e gente de plástico. Muita gente de plástico.
Às vezes fico passeando na feira só pra ver se acho gente de gente. De carne, osso e vontade. Se puder caprichar na vontade, melhor.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

108.

E puxar pra perto com as pernas e puxar pela gola da camisa e brincar de não parar nunca.

121. Em 22/09/10

"Fazia tempo que eu não beijava alguém e sentia tanto um beijo. Fora aquele flash de ano passado que me aconteceu há pouco menos de mês. Mas aquilo foi um flash. E é isso.
Mas isso, isso aqui, tá uma delícia."

Por que será que eu não postei isso no dia?

terça-feira, 14 de setembro de 2010

107.

Entre aquela que não falava nada de si e não precisava de presença, cor, gosto e gente... e essa, que se incomoda com o quanto se faz ver - mesmo que queira se fazer enxergar - com o quanto ver, pensar, enxergar e saber são coisas diferentes... entre as duas eu não sei o que eu deixei pra trás e o que é acessório.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

106.

Eu não tenho que me fazer parecer calma. Eu não sou calma, a não ser com os eventos do mundo cotidiano. Eu não sou calma a respeito das minhas vontades. Até aí, ok. Você pode gostar ou não gostar. Vai ver isso te irrita do mesmo jeito que me irrita sua predisposição a não dizer o que quer, nunca, mas não fazer nada além do que já tinha pensado.
Não, eu não faço nada que eu não queira. Mas meu querer é fácil. Eu quero pela companhia, quero porque não fazendo nada mesmo, quero pela diversão imediata, quero pra variar, quero pra não variar. Eu quero o que eu quero, claro. Mas não quero só o que eu, só, queria a princípio. De forma alguma. Simples assim.
Voltando à minha intenção inicial que se tornou uma das minhas freqüentes auto-explicações: ninguém tem que se fazer de rogado e evitar ir atrás do que quer na frente de quem não deu o que se queria.
A não ser que se dê preferência ao evitar da possível mágoa, do orgulho ferido do outro.
Eu sempre escolho lidar com gente grande e ficar na espera de mais coerência e segurança do que as pessoas podem, humanamente, me mostrar.
Eu gosto das pessoas a despeito de uma segurança titânica, gosto de pessoas que têm cicatrizes e deixam marcas.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

105. Eu me lembro como se tivesse sido logo ontem.

"- É completamente absurdo que alguém se apaixone por você assim. Mas impossível, mesmo, é ficar inteiro depois. Eu não tenho mais jeito. Não dá pra eu levar a vida como se fosse tranqüilo. Não dá pra te ver. Você faz questão de não me levar a sério.
Eu só queria que você tivesse calma."
Eu fiz minha habitual cara de "Desculpa, impossível." e fui pra casa dolorida.
E hoje entardeci com vontade de pegar esses hematomas antigos, polir e carregar comigo noite adentro.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

104.

"I'll be waiting for you, baby
Cause I'm through
Sit me down
Shut me up
I'll calm down
And I'll get along with you
Alright

Shut me up
Shut me up
And I'll get along with you"

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

103.

Eu disfarçava insegurança acadêmica com corpo mole.
Conheço gente que disfarça indecisão com tranqüilidade.
Ando disfarçando vontade com vontade.
Fazer o quê?

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

102.

Todas as coisas são uma coisa só, todas as caras são várias e todo começo promissor é de uma maldade incrível.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

101.

Eu vim fazendo da minha vida uma grande metalinguagem.
Faço uma idéia outra do ofício da lapidação.
Meu selo de qualidade
aprova manchas.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

100.

Me mostra um problema que me afeta diretamente, mas não depende de mim. Uma questão problemática que passa por uma questão minha, mas eu não posso resolver... que eu te mostro uma Rebecca que esquece o comedimento e perde a capacidade de pensar com clareza.
Se eu não posso resolver por conta própria, me desespero. Isso tudo significando que
eu preciso ter o controle das coisas.
Shoot me now.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

99.

Já ouvi gente falar isso e aquilo e até aquilo outro de homens, de antigamente, de homens de antigamente, de mulheres moderninhas, de mea culpa - e mea culpa é, no fundo, inerente à "alma" feminina, acaba sendo, sempre é. Só porque amarraram todas as vergonhas ao corpo feminino. Só por isso.
Sempre ouço gente falar as maiores atrocidades do mundo de hoje, de velhos tempos, da pouca vergonha generalizada, que o mundo é gay e preconceito nem existe mais. Dá pra ver, em luzes de néon, os nós forçados que ligam o discurso. "Não existe mais vergonha na cara no mundo que vivemos. O mundo já é gay, o preconceito é mínimo. Pode existir, mas tá desaparecendo. Tá tudo uma grande bagunça." Vergonha na cara e homossexualidade não andam juntas. Porque preconceito é, de certa forma, vergonha na cara? Coisa que gay não tem. Nem vergonha na cara nem preconceito, é. Isso é propriedade institucional da moral cristã.
Ah, vá!?
No fim das contas, será que algumas coisas são verdade? São verdade porque fizeram com que fossem? São porque a gente repete, cede e deixa passar? Fico vendo umas fórmulas de conduta, absurdas por definição, serem bem-sucedidas. Umas noções pré-estabelecidas sendo sempre recompensadas. Umas idéias insanas encontrando respaldo empírico. A arte de ser mulher é se utilizar do poder social não declarado? Comandar seu marido, no silêncio de dentro de casa, deixando ele achar que as idéias dele são dele? Andam juntas emancipação e masculinidade? A grande maioria acredita mesmo que as mulheres não são mais mulheres? A gente cuida mais de alguém quando faz sexo com outras pessoas em segredo? A gente só dá valor quando perde? Santa na rua e puta na cama? O que os olhos não vêem o coração não sente? Manga e leite, você já teve medo de misturar?

98.

Às vezes parece que eu ia cumprir melhor os meus propósitos se eles fossem enganar, mentir e magoar.
Acho que eu fiz essas regrinhas invioláveis pra mim mesma antes de trilhar uma estradinha de rebeldia sem causa. Antes de não levar as pessoas a sério, de vez. Ou não.
Sei que volta e meia, junto com aquela vontade de levantar e tomar um vinho, de madrugada, enchendo cinzeiros e repensando nós, me dá vontade de vontade de adultério, dor e assassinato. Aí passa e eu volto a achar mais apropriado continuar sendo como eu sou. Não mentir, não enganar... cuidar e alimentar tudo que eu acho tranqüilo e gostoso... ficar tranqüila demais e distante de tudo que me for muito precioso, se correr o risco de acabar por outras mãos. Acabar acabando tudo pelas minhas mãos.
Parece sempre que eu poderia cumprir meus propósitos se tivesse coragem de ter algum que me fosse importante.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

97.

Queria botar sua foto numa caixinha de leite de filme estadunidense.
Aí quando trouxessem você pra mim eu ia olhar e dizer: não, moça, não é essa aí a Lu que eu perdi.
Nem ríspida, nem seca, amiga. Te amo, ainda.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

96.

"Porque eu posso."
A melhor resposta do mundo. A melhor resposta do mundo.

95. Rude but not that twisted.

Eu pergunto "o quê?", não me respondem... eu falo que queria entender, não me deixam... eu começo a listar as opções. Mais ou menos escrachada ou descabida, começo a dar opções.
Continuo mostrando as opções em aberto e abrindo novas, de acordo com a minha disposição, até elas acabarem.
O que você quer então, ser meu amigo?
Quer me deixar te conhecer?
Quer ser só meu conhecido?
Quer que eu nem fale mais contigo?
Quer trepar? T-r-e-p-a-r?
Quer me responder alguma coisa?
Qualquer coisa? Quer alguma?

terça-feira, 6 de julho de 2010

94.

Quanta coisa nova acontecendo de repente e que dias melhores... tô quase sem tempo pras minhas aulas e essas coisas inconvenientes.
Quanta coisa nova aconteceu e deu uma soterrada na curiosidade que eu sentia por ele. Na vontade não, mas... o gosto, acho que ele perdeu.
Foi você quem me tirou a possibilidade, você se impossibilitou. Acontece.
Eu gosto de novidades, de surpresas boas e de sexo.

sábado, 3 de julho de 2010

93.

Dá uma voltinha, pega, segue, gira, olha, vira, olha e pronto.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

92.

Quando você recupera capacidades que tinha perdido.
Não era a rotina quem tinha me tomado de mim, não eram os hábitos, eram meus horrores, eu, Mein Fürer.
Não doeu, não chorou, acordei.
Não como quem acorda de um pesadelo, acordei da minha soneca depois do almoço, e eu achei que não fazia isso.
Acordei e parei com o martírio calmo, com a farsa, com o capricho sem direção que só tinha uma causa.
Voltei a ter causa, deixei de contar só com a conseqüência de toda feiúra, voltei a ter prumo. E ele é mais livre que a minha ilusória falta de rédeas.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

91.

No meu mundo ideal ia ser assim: a gente pode se conhecer de vista e só, mas você poderia me ligar com total tranqüilidade, num dia em que estivesse pensando que uma conversa seria uma boa idéia. E vice-versa.
Ninguém mais acha um absurdo você ter que ser conhecido de alguém pra poder querer conhecê-lo(a)?
Se a gente pode querer o que quiser, devia poder querê-lo na prática, também.
Tá errado, eu acho. Não começar um assunto com naturalidade sem alguma situação que te faça parecer apropriado. Que diabos é apropriado? Apropriado é uma coisa que não existe.
Chatíssimos os eternos "Quanto tempo! Vamos sair e tomar um café um dia desses!" que nunca acontecem, por mais que sejam verdadeiros e mútuos!
Eu sou a favor de acessibilidade pessoal e repaginação da lista de prioridades, a despeito da rotina. A favor da tentativa dum de-pessoa-pra-pessoa.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

90.

Falou um monte, um monte, falou absolutamente tudo que tinha e não tinha e podia ou... que seja. Falou e disse. Aí, ah, minha gente, aí quis saber o que eu achava daquilo. O "eu acho" me engasgou. Eu me recusava a, daquilo, achar alguma coisa. Não acho. Não vou achar nunca. Pretendo me lembrar de não achar mais. Perdi. Dorme bem, chuchu.

89.

Eu quero ver queimar.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

88.

Cê quer me ajudar com meu XLV? Segurar minha mão pra pular no abismo, não me deixar levar mochila nem barraca, nem tijolo e só uma cota racionada de distanciamento prático... me ajudar a voltar a entender umas coisas que eu continuei pregando, mas parei de praticar. Me segurar como for necessário quando eu tiver mais uma crise de pânico (só de pensar nas coisas mais bobas possíveis, que não deviam estar acontecendo comigo ou me atirando nas coisas grandes e más que moram em mim e na minha maldade labiríntica e inescapável e em tudo que não vive onde tiver cor), me ensina a parar de falar que uma coisa não pode acontecer, que eu não posso querer e não querer ao mesmo tempo, que as pessoas não podem destruir o que elas não entendem. Mesmo que elas não possam poder. Todo mundo pode fazer o inferno que quiser, eu preciso aprender a me queimar.
Eu tô com medo do medo e fico meio sem forças.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

87.

Meu ponto é a dança, pra não me mostrar.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

86.

Meu ponto é a dança, pra não me explicar.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

85.

"Meu deus do céu", que inferno.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

84.

Dançando no caos e dançando em qualquer cantinho onde toque samba. Dançando sempre completamente nua. Apesar, claro, da minha armadura e meu elmo e aquele escudo que eu finjo nem trazer comigo e daquela armadilha de urso que eu coloquei bem naquele lugar em que você passa se eu me descuidar, só pra assegurar que eu não me traia, ou justamente o contrário.
Dançando na penumbra, vivendo na penumbra, amando, sempre e acima de tudo, os tons de cinza, de noite, de não e de pele.
Meus remédios antimonotonia são vários e estas, multiformes.
Then, again, tudo é multiforme e eu sou várias. Qual era meu ponto, mesmo?
Meu ponto era a dança. A dança, pra não ser o par.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

83.

Ainda morrendo de curiosidade a seu respeito.
Curiosa pra brigar com você, entre outros.
Você tem cara daqueles caras que resolvem não discutir e me deixam falando sozinha.
Se tem uma coisa irritante, sem nenhuma ponta de gostosurinha, é isso.
Hah, deve ser uma delícia brigar com você.
Deve ser uma delícia saber sobre você.
Fico meio inquieta pra passar a mão nos seus ombros, prometo que não mordo.
Ando curiosa, ainda.

terça-feira, 30 de março de 2010

82.

I've got an itch to scratch now. Damn it, Janet.

sexta-feira, 26 de março de 2010

81.

Eu tô criando um Frankenstein, tô criando um Frankenstein. Pra ter alguém pra namorar, é pra alguém me namorar.

sexta-feira, 19 de março de 2010

80.

Mantenhamos a calma, não façamos a cena, vai, cortemos o drama.
Tá vendo ali, aquele caminho tortuoso, com aqueles espinhos no chão, aquela ameaça de armadilha que não vem, as centenas de miragens e a vulnerabilidade enlouquecedora? Segue por aí e come as amoras mais doces. Tão doces que queimam. Tão doces que matam. E toda amora, depois, não é tão amora assim. E isso dá trabalho, enquanto se tem memória.

Eu não entendo as pessoas que se concentram mais na descrição do caminho.

quarta-feira, 17 de março de 2010

79.

Um desesperozinho vai subindo pelo meu estômago quando eu penso nas coisas de mim que me arremessam contra mim mesma.
Quando eu me acho desnecessária, com os dentes cerrados. Faço pra mim mesma aquela famosa cara de desgosto e começo a numerar, sem os números, meus monstros e pesadelos e defeitos e manias e essas coisas que eu fico repetindo e me fazendo fazer e me deixando fazer e repetindo, nas horas erradas.
É como se eu fosse muito pesada. Infinitamente pesada - e eu sou - de absolutamente nada que contenha alguma coisa preciosa o suficiente pra compensar. Cheia demais pra viver, mas de substância nenhuma além de ar. Um ar pesado e poluído, que fica recolhendo, polindo e mantendo dejetos ao longo do caminho, colocando em gavetas e prateleiras e no chão, quando eu tenho medo de deixá-los escondidos.
Penso mais em tudo isso na hora de dormir e não durmo o que devia pra pensar com mais tranqüilidade e eu tenho medo do escuro e aí fica tudo tão grande que todo o meu exagero deixa de ser e minhas reclamações-objeto tomam o tamanho em que são descritas.
Eu sei que paz de espírito não é um ideal ou um grande valor, pra mim. Mas em noites assim, eu quase rezo. Em umas piores, eu quase choro. Eu quase faço as coisas certas, sempre.

sexta-feira, 12 de março de 2010

sábado, 6 de março de 2010

77.

Toda vez que eu olho pra você parece que eu vi algodão-doce. Quem diria?

quinta-feira, 4 de março de 2010

76.

Todo esse romance não, vai? Amor é mais que isso.
Detesto ler essas coisas vulgares de tão melosas.

segunda-feira, 1 de março de 2010

75.

quanta coisa eu deixo em aberto... que delícia.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

74.

Gabriel, cê leu meu outro blog?
Carroll me faz pular amarelinha. Poe me entende. Passa do "me entende". Me entende e entende como ele me entende? Beto, tô contigo nesse jeito de escrever. Não tô mais. A gente é tão diferente!
Eu tô alta, ela tá falando alto, nem tá, mas soa. Soa alto, soa. "Não sei quem teria gostado de mim".
Engraçado, eu tava pensando hoje, e, vamos admitir, nesses cinco últimos dias, em como as pessoas que eu acho interessantes não me acham. Não me acham, não me encontram, não me acham interessante. Você tinha me achado, você, você. Mas nunca me achou. Me pegou por aí, na mão, a menininha-mulher-perdida. A menininha perdida que te rejeita quando você estende a mão.
Mas, vê, eu quero que você me queira como quem quer quem não precisa de você, mas quer. Se mantém perto, mas me deixa só. E quando você se enganar, e você nem vai saber, fica mais perto do que nunca. E me aperta porque eu te quero tanto!
Minhas costas doem. Minha coluna é uma piada de mau gosto.
Eu também tô cansada. Não da cara com que me olham, do que assumem a partir daí. Não podem assumir com a consciência de que nada é absoluto, certo, humano?
Mas que merda, nada que se assume é humano.
Vai? Eu não sou quem você acha que eu sou por precaução. Nem por jogo, nem por brincadeira, nem por erro. E brincadeira, pra mim, é coisa séria.
Deixa eu contar:
eu digo a verdade.
Se você me pergunta, eu digo a verdade.
Não me acha segura por isso, isso já me protege demais. Quando você diz que sempre diz a verdade, ou antes, com esses meus olhos de "eu sou o que você quer e o que você menos quer", não te perguntam mais a verdade. Não querem a verdade de mim, não me querem.
Ai, eu sou má.
E não me querem, e nem é porque eu sou má. Eu não sou.
Mas eu pareço.
Não sejamos hipócritas demais, sim? Não me querem pelo que eu pareço. Eu não quero quem me quer pelo que eu pareço. Nem quem me quer pelo que eu não pareço a princípio, mas pareço depois.
Pré-adolescência, eu fico mais curiosa por quem não me quer a princípio. Mas quem não me quer a princípio nem depois, nem depois, sem explicação, me cansa.
A não-explicação não me cansa. Nãos me alimentam. Nãos e explicações me cansam. Ou não.
Ei, vamos lá:
Eu gosto tanto (!) do nível de auto-análise/sinceridade comigo mesma e com os outros que eu alcancei. Mas nem é isso que mais importa pra vocês. E eu, genuinamente, não me importo com o que importa pra vocês. Você me obrigou a pensar no que importa pra você. Não me importar, mas pensar em... e não me importar, assim, com a sua opinião, me faz má.
Eu ter te ligado sem parar, naqueles dias que passaram, me faz má. Qualquer coisa me faz má, quando você quiser. Você se conforta na minha maldade inexorável. Com escolha, sem, ela é maldade e conforta. Se fode.
Se afunda com o que eu sou ou pareço ser. Me come, literalmente, e ainda assim, e principalmente assim, você não vai me entender.
Você não vai.
Eu sou, hoje, tão leve e tão pesada. Quase como num sonho, porque pesada eu sempre fui. Tão mais livre e presa, pela consciência suprema das minhas prisões, ainda sabendo que eu não tenho a plena consciência delas. Ainda e sempre e ai.
Eu perdi o amor da minha vida aos 5.
O outro tá velho e lindo, e velho.
Eu amo a Lu, e ela é nova, eu não a tenho, nem queria.
Eu amo o Beto.
Eu amo minha priminha pequena, mas nem posso listar na minha lista de amor (POR ZEUS, EU SOU CAPAZ DE FAZER UMA LISTA PRA ISSO?), eu não a conheço.
Eu amo uma tia, que nem minha tia é. Eu amo minha avó, e nem achei que amasse, até os meus 14.
Eu gosto de café, de liberdades individuais etéreas, de cerveja, de mortes românticas, dos amores que eu nunca vou conseguir sentir, a não ser por quem já morreu.
Meu deus, eu não sinto nada.
Eu sinto muito, eu sinto tanto, eu sou tão seca, eu nasci morta.
Eu não aprendi a sentir o que eu sinto.
Eu sinto falta, mas isso não se aprende. Se sente. Sempre. Sempre. Sempre. Sempre.
Helô, lembra da nossa conversa? Acho que, em algum nível, é isso. A gente se aprende quando perde, no fim das contas. Quando perde gente, quando se perde, alguém aí sabe voltar do máximo da perda?
Porque, se o meu maior objetivo é me aprender, em tudo e qualquer coisa e no que há de mais perdido, de onde eu volto, quem me estende a mão, no rio do mundo dos mortos?
Já vi alguém, por muito menos, morrer por um calcanhar.
Por muito mais.
Por muito, e muito.
E muito e, como?
Muito.
Muito.
Muito.
Palavra gostosa.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

73.

Preciso, com urgência, de um passatempo interessante o suficiente. Preciso de um preenchetempo.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

72.

Vai lá, Damien:
"Don't build your world around
Volcanoes melt you down
What I am to you is not real
What I am to you... you do not need"
yada yada yada

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

71.

Curiosa, ridícula e sem propósito, de novo.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

70.

Que os covardes aqui presentes levantem a mão.
Você aí, moço, o que teve a coragem necessária pra fazer a coisa errada, faça o favor de se retirar. A gente aqui não entende as coisas ao contrário nem vitima por capricho, não dessa forma.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

69.

Minhas angústias hibernam e, quando eu já estou totalmente recuperada, voltam. Voltam furiosas, sempre. Eu corto as cabeças e elas renascem, eu fico cortando as cabeças e elas renascendo mais fortes.
Eu sei que eu preciso de fogo pra acabar com isso de uma vez por todas, mas meu ascendente está sempre muito ocupado se afogando.

68.

Eu ouso perturbar o universo, ouso perturbar a mim mesma. Eu ouso perturbar sua paz de espírito e fazer seu estômago revirar. Eu te mostro, sem pudores, sem escrúpulos, exatamente o que você quer. A maior injustiça é que é só você esticar o braço, é que causa tanto estrago... eu não tenho esse direito. A maior crueldade é que eu te quero de verdade, exageradamente.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

67. "Out of the way, you ninny!"

Porque a gente tá tentando manter as coisas como elas foram planejadas, aqui. Mas isso eu nunca vou admitir.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

66.

E mesmo assim, não é essa coisa de post 65 que eu tô fazendo contigo, Gabriel, eu não conseguiria nessa altura do campeonato.
Pode ser inútil repetir, mas vou ser mais clara dessa vez: dessa largada eu saí com boca, olhos e nenhuma armadilha, além das inevitáveis. Nenhum joguinho, nenhuma vontade de ganhar de você.