.dançando no caos.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
sábado, 7 de fevereiro de 2026
151.
Preciso partir.
Em breve preciso partir.
Deixo que o estranhamento do que me era mais caro decida de mim o que será e isso é nada. Me entrego à monstruosidade da única opinião sobre mim que me importa mais que a minha própria, como venho fazendo e resistindo e refazendo em direção ao abismo.
Se não sou capaz de exorcizar o único amor que desejei meu ou de ser perdoada pelo único que deixei entrar em mim, tão imperfeita, não sou capaz de ser. Não quero ser.
A diferença entre mim e Minos é que apenas eu estou sujeita ao seu julgamento. A única decisão que me cabe é quando encontrá-lo no Hades. Aqui, o Tártaro. A subida até lá já será o paraíso. Banhar-me no Léthes e dele beber é o único sonho que me resta.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
150.
We could tangle the hurt and cross all the words in between our mouths for forever
For the easiness in which a tear emerges from down my core
If I take more than a second feeling your lips against mine
Unravels the thin matter from what souls are sewn
Painfully meant to threat any other embrace before or after
For it's magnitude, it's truth, it's wraith
It is not from this world the urge to surrender my very life in the chasing of your breath
Neither it's fair to be wanted afar and be touched no more
If you still have the face that have loved me with dispair
You pretend not to see the purest of devotions burning my flesh away towards you
For it is easier to grieve me than to trust
The hope in which we long to be eaten by the other
Is the wrath in which we see ourselves in the broken glass
If there are worlds, many and vast, where the spirit rearranges and lives again
I'd dare to write the creed that states our hearts must reunite
Far away in hiding from all the words and all the crosses between our eyes
For that which shines dangerously can be gold if we try
And wash it clean from all the fear we bestowed upon it once
domingo, 14 de dezembro de 2025
149.
Você é onde os sentimentos fecundos, incoerentes, demasiadamente humanos vão pra morrer.
Você é o sistema rígido da biblioteca das humanidades que te impede de sorrir.
Você não relê os livros que não entende, mas faz crítica literária.
Você é a espada afiada que define a validade das coisas.
Das desculpas.
Dos processos.
Das palavras.
Das visões.
Do amor, que não existe.
Sem você o ar é mais leve, mas eu queria ter morrido sufocada, sendo considerada o lixo que eu sempre me senti, não podendo me esquecer por um dia sequer de todas as minhas rachaduras, você não deixaria. Não é válido se não for assim. Não é certo se não tiver chicote. "Queria me ajudar a ver minhas falhas". Todos os caminhos resultavam em morte e eu acho que aceitei a sina.
Isso eu sei fazer. Entregar devotamente o que era esperado de mim e me matar depois.
Você segue subestimando a dor que eu sinto e o quanto se perdeu na dor que eu te causei. Você ainda acha que detém a clareza sobre minhas partes ocultas, ainda acha que estava certo em sua condução para que eu as revelasse. Você não me deixaria "ter tudo, como se nada tivesse acontecido", nunca conseguiríamos. Não sem punição suficiente que pagasse.
Antes, fui sentenciada inválida. Agora, indigna.
"Tentar" concretizava todos os dias sua nobreza enquanto me espezinhava.
Quando é que eu pude ser eu e mesmo assim conseguir o prêmio máximo, sua validação?
Quando você me amou como eu sou?
Antes, não amava. Agora, não sendo eu.
Você só vai parar de subestimar a dor que eu sinto no ato da morte do meu coração.
Você é onde os sentimentos fecundos, incoerentes e demasiadamente humanos vão pra morrer da vergonha que você os imputa.
segunda-feira, 28 de junho de 2021
148.
terça-feira, 22 de junho de 2021
147.
terça-feira, 16 de março de 2021
146.
Aquele que anda com olhos nus e um coração em chamas descobre cedo que a única forma de querer-se vivo é recusar em si o pecado. Não o cometido, mas sua assunção.
Nunca permitir-se a noção de que sua vontade pura seja proibida, não deixar entrar o mal.
Ao invés disso, dançar com suas incoerências e aceitar o inexplicável como a mais profunda trama de si.
Convidar encantamentos viscerais em sua inocência, gozar o desespero de não ser, dançar com o diabo à meia-noite.
Viver pra saber morrer, morrer pra saber viver, adentrar os universos que aí cabem.
Aqueles que andam com corações nus e os olhos em chamas descobrem cedo como é doce, apesar de tudo.
domingo, 14 de outubro de 2018
145.
E mesmo assim, eu me sinto bem quase o dia inteiro. Sorrindo sozinha pelos cantos, falando com você o tempo todo.
Entregue sem escolha, porque você é um alívio. Um refresco nesse calor do caralho. Você é uma aparição, uma delícia.
Eu... finjo que não sei o que fazer.
segunda-feira, 13 de março de 2017
144.
Quente só se for de ira. Pra amizades, talvez. Interesses em comum com amigos, música, quente. Fora isso, é pior que frio, é morno.
Amor? Morno. Declarações nulas, espontaneidade morta no berço. Confunde fúria com insensatez, qualquer coisa que lhe soe não-morna é incômoda. Padrão.
Mas me chama de careta.
Um amor que não pulsa, não grita. Resmunga, remói e repensa, sempre.
Quando se der conta de que viver é o que salva a vida, é tarde. Pro amor, já é póstumo.
Eu que não sou morna, choro.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
143.
Se acostumar-se com minha distância não é o que deseja, se quer dos outros o alcance da compreensão, as palavras suaves e o toque, que ultrapasse a própria pele. Não é dever de um pulsar por dois, ninguém deve se envergonhar de não querer tão pouco.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
142.
Dançando no caos por ser também o caos, não por ser arremessada no vazio. Dançando na ordem igual, dançando no fogo.
Compreendendo o que tinha na mente, mas não no peito. Sobre mim e sobre o que emana de mim. Aprendendo a receber. Por isso, sabendo estar inteira.
Jornadas assustadoras começam tão casuais, que nem dá pra estar alerta. Só assim, pra embarcar e aprender, a penas que não aceitaria se soubesse.
Aprendendo, reaprendendo e desaprendendo que viver parece ser todo processo por inteiro, do início ao fim e avesso-contrário. Sem pé nem cabeça. De corpo e alma.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
141.
Agora, quero mostrar. De volta. Das minhas costas, às suas custas, aquelas culpas.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
140.
Não me lembro do que tinha pra saber se o que me falta é porque me falta sempre ou é mesmo o que preciso.
Sempre em falta, mas... mesmo assim, mais que nunca.
Não me basta, não me esquenta, não me cobre. Deve ser por isso que quero sempre tão perto, porque perto já é só meio.
Admirando assim todas as coisas que você tem tanto, e ninguém mais, sempre concluo que preciso de mais, justamente do que não posso pedir, não devo querer, talvez não adiante, nem sei se piora, e se eu disser, mas deixa pra lá, é bem isso que eu faço: emaranho todas as pontas e nós, mais nós ainda e pronto, finjo que esqueço, não concluo. Eu não quero saber o que eu sei a respeito.