.dançando no caos.

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acho que cheiro de café é sexy.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

150.

  We could tangle the hurt and cross all the words in between our mouths for forever

  For the easiness in which a tear emerges from down my core

  If I take more than a second feeling your lips against mine

  Unravels the thin matter from what souls are sewn

  Painfully meant to threat any other embrace before or after

  For it's magnitude, it's truth, it's wraith

  It is not from this world the urge to surrender my very life in the chasing of your breath

  Neither it's fair to be wanted afar and be touched no more

  If you still have the face that have loved me with dispair

  You pretend not to see the purest of devotions burning my flesh away towards you

  For it is easier to grieve me than to trust

  The hope in which we long to be eaten by the other

  Is the wrath in which we see ourselves in the broken glass

  If there are worlds, many and vast, where the spirit rearranges and lives again

  I'd dare to write the creed that states our hearts must reunite

  Far away in hiding from all the words and all the crosses between our eyes

  For that which shines dangerously can be gold if we try

  And wash it clean from all the fear we bestowed upon it once

domingo, 14 de dezembro de 2025

149.

 Você é onde os sentimentos fecundos, incoerentes, demasiadamente humanos vão pra morrer.

 Você é o sistema rígido da biblioteca das humanidades que te impede de sorrir.

 Você não relê os livros que não entende, mas faz crítica literária.

 Você é a espada afiada que define a validade das coisas.

 Das desculpas.

 Dos processos.

 Das palavras.

 Das visões.

 Do amor,  que não existe. 

 Sem você o ar é mais leve, mas eu queria ter morrido sufocada, sendo considerada o lixo que eu sempre me senti, não podendo me esquecer por um dia sequer de todas as minhas rachaduras, você não deixaria. Não é válido se não for assim. Não é certo se não tiver chicote. "Queria me ajudar a ver minhas falhas". Todos os caminhos resultavam em morte e eu acho que aceitei a sina.

 Isso eu sei fazer. Entregar devotamente o que era esperado de mim e me matar depois.

 Você segue subestimando a dor que eu sinto e o quanto se perdeu na dor que eu te causei. Você ainda acha que detém a clareza sobre minhas partes ocultas, ainda acha que estava certo em sua condução para que eu as revelasse. Você não me deixaria "ter tudo, como se nada tivesse acontecido", nunca conseguiríamos. Não sem punição suficiente que pagasse.

 Antes, fui sentenciada inválida. Agora, indigna.

 "Tentar" concretizava todos os dias sua nobreza enquanto me espezinhava.

 Quando é que eu pude ser eu e mesmo assim conseguir o prêmio máximo, sua validação?

 Quando você me amou como eu sou?

 Antes, não amava. Agora, não sendo eu.

 Você só vai parar de subestimar a dor que eu sinto no ato da morte do meu coração.

 Você é onde os sentimentos fecundos, incoerentes e demasiadamente humanos vão pra morrer da vergonha que você os imputa.

segunda-feira, 28 de junho de 2021

148.

Ela me contou que era ciúme. A distância, o olhar de escárnio que quase se mostra admiração. Era ciúme por causa de como ele falava de mim, escrevia sobre mim. Eu senti profundamente no meu peito um pesar baixinho, por nós duas, e disse que ele escreveu sobre mim, mas nunca me conheceu.
Me transformou em musa - eu chamo de fantasma - porque tinha medo da mulher. Quem eu fui ali só existiu dentro dele, a mulher que eu sou ele nunca viu, nem dormindo.
Tinha medo do que ia sentir, do que ia fazer, do que eu não ia acatar.
Não digo que não tenha sofrido, sofreu tanto que quase virou poeta. Quando foi poeta, sentiu tão profundamente a si mesmo que só pôde sentir isso. O restante de nós, espelhos com formatos diferentes, seu sofrimento autorizava.
Depois se ensimesmou ainda mais, ficou só, te conheceu.
Ele escreveu sobre mim, mas talvez tenha te amado.

terça-feira, 22 de junho de 2021

147.

Curiosa demais pra ignorar, orgulhosa demais pra implorar que você me deixe entender. Repetindo que é sobre mim, minha curiosidade, eu, comigo.
Eu que não sou de imaginar, de me dedicar ao que não seja real, questiono do que é feita a realidade, quem definiu, se serve pra qualquer coisa. Eu que nunca fui de sonhar, voltei depois da sua primeira invasão. Intruso de sonhos e, até onde eu sei, não só dos meus. É sobre você. Um tipo de inspiração que me incomoda bem no ego, no meu espelho trincado, na via de mão única. É sobre mim.
Orgulhosa demais pra me deixar inspirar sem nenhum controle, sem nenhum poder. Curiosa demais pra fingir que vai passar.

terça-feira, 16 de março de 2021

146.

Aquele que anda com olhos nus e um coração em chamas descobre cedo que a única forma de querer-se vivo é recusar em si o pecado. Não o cometido, mas sua assunção.

Nunca permitir-se a noção de que sua vontade pura seja proibida, não deixar entrar o mal.

Ao invés disso, dançar com suas incoerências e aceitar o inexplicável como a mais profunda trama de si.

Convidar encantamentos viscerais em sua inocência, gozar o desespero de não ser, dançar com o diabo à meia-noite.

Viver pra saber morrer, morrer pra saber viver, adentrar os universos que aí cabem.

Aqueles que andam com corações nus e os olhos em chamas descobrem cedo como é doce, apesar de tudo.

domingo, 14 de outubro de 2018

145.

Nada resolvido, tudo incerto. Mas eu nunca me importei tão pouco com a incerteza.
Tantas dúvidas sobre como deveria estar levando as coisas, quanta cautela será que tem faltado... tanto motivo pra sentir medo, tanta apreensão pairando em volta da gente.
E mesmo assim, eu me sinto bem quase o dia inteiro. Sorrindo sozinha pelos cantos, falando com você o tempo todo.
Entregue sem escolha, porque você é um alívio. Um refresco nesse calor do caralho. Você é uma aparição, uma delícia.
Eu... finjo que não sei o que fazer.

segunda-feira, 13 de março de 2017

144.

Morno, morno.
Quente só se for de ira. Pra amizades, talvez. Interesses em comum com amigos, música, quente. Fora isso, é pior que frio, é morno.
Amor? Morno. Declarações nulas, espontaneidade morta no berço. Confunde fúria com insensatez, qualquer coisa que lhe soe não-morna é incômoda. Padrão.
Mas me chama de careta.
Um amor que não pulsa, não grita. Resmunga, remói e repensa, sempre.
Quando se der conta de que viver é o que salva a vida, é tarde. Pro amor, já é póstumo.
Eu que não sou morna, choro.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

143.

Prefiro crer que seja bondade do seu amor consciente dos próprios limites e não displicência, me ensinar tanto sobre sua ausência, me acostumar com suas portas fechadas.
Se acostumar-se com minha distância não é o que deseja, se quer dos outros o alcance da compreensão, as palavras suaves e o toque, que ultrapasse a própria pele. Não é dever de um pulsar por dois, ninguém deve se envergonhar de não querer tão pouco.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

142.

Reaprendendo o que fingi esquecer por me deixar roubar de mim mesma.
Repaginando a história das minhas veias, revivendo o curso das entregas e repintando todas as paredes, o teto e o espaço. De laranja. Laranja, lilás e verde. De amor.
Dançando no caos por ser também o caos, não por ser arremessada no vazio. Dançando na ordem igual, dançando no fogo.
Compreendendo o que tinha na mente, mas não no peito. Sobre mim e sobre o que emana de mim. Aprendendo a receber. Por isso, sabendo estar inteira.
Jornadas assustadoras começam tão casuais, que nem dá pra estar alerta. Só assim, pra embarcar e aprender, a penas que não aceitaria se soubesse.
Aprendendo, reaprendendo e desaprendendo que viver parece ser todo processo por inteiro, do início ao fim e avesso-contrário. Sem pé nem cabeça. De corpo e alma.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

141.

Soube tudo o que não queria e vi mais do que gostaria, sempre.
Agora, quero mostrar. De volta. Das minhas costas, às suas custas, aquelas culpas.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

140.

Uma insatisfação vem cronicando, histórica, me ganhando no medo. Medo de estar errada, estar com mais vontade de cegueira do que fato. Não sei mais de análise, nem interpretar meus lampejos sãos.
Não me lembro do que tinha pra saber se o que me falta é porque me falta sempre ou é mesmo o que preciso.
Sempre em falta, mas... mesmo assim, mais que nunca.
Não me basta, não me esquenta, não me cobre. Deve ser por isso que quero sempre tão perto, porque perto já é só meio.
Admirando assim todas as coisas que você tem tanto, e ninguém mais, sempre concluo que preciso de mais, justamente do que não posso pedir, não devo querer, talvez não adiante, nem sei se piora, e se eu disser, mas deixa pra lá, é bem isso que eu faço: emaranho todas as pontas e nós, mais nós ainda e pronto, finjo que esqueço, não concluo. Eu não quero saber o que eu sei a respeito.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

139.


Da melancolia só me salva essa voracidade; de pista só te restam as unhas, crescentes, e a lua cheia.
É no despertar que eu vejo os dedos melados de sangue e a manhã púrpura. Já não me surpreendo no espelho, os olhos serão de rapina.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

138.

E, de repente, se juntam, sem aviso, todas as quimeras, com aviso. Os filhos que eu não terei, as perdas que se repetirão e as dores já anunciadas, menos místicas, que acabarão por conseguir me matar, anunciadas, anunciadas sempre, que eu não admito pra não fazer muito de mim mesma, pra não fazer de mim morte anunciada como os grandes videntes de seus próprios destinos e dessa desgraça toda.