160.
Por que dói tanto assim, será que dói tanto assim? Mais que a alternativa?
Doeria mais não ter o vô... do que o vô que é outro? A vó pálida e triste, a angústia impronunciável. O almoço de hoje que vai ser, claro, pra mim. Eu penso em cozinhar hoje também, pra ela descansar. Mas ela iria fazer alguma outra coisa e eu comeria uma vez a menos o franguin com angu.
Doeria menos um banheiro outro, em outra casa, estranha, do que esse banho madrugado num lugar familiar, mas quase, ainda mais íntimo pela falta. O azulejo que eu tateava quando criança, as barras de inox, o armário enferrujado, a tranca removida, o vão de roupas desativado, a nova pomada pra escaras, a sobreposição infinita e fractal de todas as adaptações que se impõem incessantemente insuportáveis.