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Às vezes penso nosso amor como Deus, porque é imenso e cheio de horrores. Porque parece algo que existe além, antes e depois de mim.
Um deus, como preferimos, porque possui falhas e iras e mágoas e ciúmes. Talvez uma fabricação dos deuses dentro de nós. Porque é imenso, mas teme a morte, e isso deuses não fazem. Teme a própria, a do outro, a do tempo.
Então creio que seja humano, porque sente muito. É divino em pecado, escorre desejo. Chora e se desespera, é palpável e aquece o peito. O toque dos lábios, o cheiro, é humano demais. Teme demais, mas não parece morrer naturalmente.
Como broto que ignora a terra arrasada e não respeita o fim. A naturalidade da nossa reaproximação há alguns anos. A naturalidade que se impõe há alguns dias, como se fosse vida, essa coisa incessante que não depende de nós pra existir.
Apesar de nós, às vezes penso que nosso amor apenas É.
*da tentativa de escrever algo assim em português.

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