.dançando no caos.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
Às vezes penso nosso amor como Deus, porque é imenso e cheio de horrores. Porque parece algo que existe além, antes e depois de mim.
Um deus, como preferimos, porque possui falhas e iras e mágoas e ciúmes. Talvez uma fabricação dos deuses dentro de nós. Porque é imenso, mas teme a morte, e isso deuses não fazem. Teme a própria, a do outro, a do tempo.
Então creio que seja humano, porque sente muito. É divino em pecado, escorre desejo. Chora e se desespera, é palpável e aquece o peito. O toque dos lábios, o cheiro, é humano demais. Teme demais, mas não parece morrer naturalmente.
Como broto que ignora a terra arrasada e não respeita o fim. A naturalidade da nossa reaproximação há alguns anos. A naturalidade que se impõe há alguns dias, como se fosse vida, essa coisa incessante que não depende de nós pra existir.
Apesar de nós, às vezes penso que nosso amor apenas É.
*da tentativa de escrever algo assim em português.
sábado, 7 de fevereiro de 2026
151.
Preciso partir.
Em breve preciso partir.
Deixo que o estranhamento do que me era mais caro decida de mim o que será e isso é nada. Me entrego à monstruosidade da única opinião sobre mim que me importa mais que a minha própria, como venho fazendo e resistindo e refazendo em direção ao abismo.
Se não sou capaz de exorcizar o único amor que desejei meu ou de ser perdoada pelo único que deixei entrar em mim, tão imperfeita, não sou capaz de ser. Não quero ser.
A diferença entre mim e Minos é que apenas eu estou sujeita ao seu julgamento. A única decisão que me cabe é quando encontrá-lo no Hades. Aqui, o Tártaro. A subida até lá já será o paraíso. Banhar-me no Léthes e dele beber é o único sonho que me resta.
