156.
Eu vou fazer geléia de morango. Peito de frango, talvez um pesto? Vou servir na casa vazia, no dia que você sugeriu depois deixou no vazio, no dia reservado pra você vir me dizer adeus e eu não dizer nada. A casa em silêncio, exceto pelos bichos e utensílios de cozinha.
Não imagino um mundo em que os sirva a você, a nós, você não virá. Mas se viesse, comeríamos em silêncio e você talvez quisesse me abraçar, depois dormir sem me tocar e me picar maçãs pela manhã, pelo ritual do luto. Não há mais nada a ser dito, não há mais nada aqui.
Amanhã não falarei nada. Amanhã é o último dia do meu coração.

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