161.
É muito triste, sim, ver sua ferida aberta, a caixa de ferramentas vazia e, na de primeiros socorros, só veneno. O rosto desolado, os braços estendidos.
E revoltante que pense que pode se atirar sobre mim e me arrancar lascas da pequena fundação que construí. Beber do meu copo quase vazio. Me esfregar na cara, na minha casa, o que trabalho ativamente pra adiar, conter, lidar, sobreviver.
Qualquer aceitação disso me tornaria refém, qualquer retorno me tornaria cúmplice.
Sinto muito por ti. Mas especialmente por mim, perdendo o pouco que pude receber. Hoje sei me proteger do que não posso dar.
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